Semântica: Viagem e Turismo – a estrutura de outros idiomas

O setor de Viagem e Turismo por sua natureza envolve o conhecimento de outros idiomas. Dependendo do grau de necessidade da atividade econômica essa exigência pode ser básica ou bastante sofisticada. É básica: se envolve mera troca de dados como nomes, endereço, telefone, e capacidade de identificar informações necessárias de locomoção ou comportamento, como por exemplo, avisos ou placas de trânsito. É sofisticada se exige a expressão de ideias e conceitos e consequentemente o desenvolvimento de uma comunicação fluente entre os interlocutores. A exigência, nesse segundo aspecto, é mais importante ainda se considerar a necessidade de negociações e explicações que podem resultar na confecção de um contrato entre as partes.

Como transpor ideias e conceitos para outra língua? Parece simples e fácil, principalmente porque nos dias atuais contamos com ferramentas tecnológicas poderosas, e ao apertar um botão uma frase ou um parágrafo inteiro transforma-se em símbolos de outro idioma. Porém, não é bem assim que acontece.

Dizer hoje que o Google resolve todos os problemas de comunicação entre partes de diferentes idiomas  é temerário e falacioso. A ferramenta é um ótimo auxilio, mas não dispensa um bom dicionário e o estudo sistemático da outra língua.

O aspecto mais notado, e que muitas vezes passa despercebido pela pessoa que está traduzindo um texto, é a questão estrutural. Não adianta tentar traduzir um conceito para outra língua, como o inglês, por exemplo, na mesma estrutura da língua portuguesa, ou italiana ou espanhola. Essas línguas; português, italiano e espanhol têm uma estrutura muito parecida e quando a ideia ou conceito é vertida para o inglês sem a necessária adaptação estrutural ocorre o fenômeno da latinização dificultando o entendimento por aqueles que falam inglês como língua materna.

Embora parte da língua inglesa tenha influência latina, o inglês é uma língua Germânica sendo que a gramática e o vocabulário têm origens Proto-Germânica.

Essa sutileza de detalhe é complexa e por enquanto difícil de ser percebida por um “robot” do Google. Um aspecto muito prático refere-se também as tentativas de harmonização internacional: enquanto no Brasil falamos em “meios de hospedagem” e o termo também está consignado na lei 11.771/08 a comunidade internacional fala em “tourist accommodation” e não em “lodging facilities” ou “means of hosting”.

Entretanto, não se deve ignorar ou muito menos subestimar a capacidade de aprimoramento das novas ferramentas digitais. É notório o constante crescimento da web-semântica baseado na ideia de adicionar metadados (dados que descrevem outros dados) semânticos e ontológicos. Mas mesmo que o futuro nos reserve ótimos e sofisticados veículos  teremos sempre a necessidade de aprender utilizá-los.

Fontes de referência:
Parlamento Europeu
Wikipedia

Goretti

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